Quem nunca ouviu dizer que “a propaganda é a alma do negócio”? Embora seja antiga, essa afirmação se enquadra perfeitamente no momento tecnológico em que vivemos hoje. Ainda mais com a chegada das mídias sociais, há quem diga que vale tudo pela divulgação. Mas será que isso se aplica no caso do marketing médico?

Na verdade, independentemente de qual seja o ramo de atividade, a divulgação exige alguns cuidados. Propagandas ofensivas, preconceituosas ou com uso indevido de imagens jamais devem ser usadas. E, quando falamos em medicina, essas restrições ainda vão além.

Aliás, a publicidade encontra certas dificuldades quando lida com esse setor, visto que existe um manual de ética e conduta médica que deve ser seguido. Ainda assim, não é por isso que você vai deixar de divulgar seu trabalho, certo?

O marketing médico é, sim, possível e eficaz — você só precisa ficar atento a algumas limitações. E foi pensando em te ajudar com isso que listamos aqui 7 das principais regras na hora da divulgação! Confira:

Não usar fotos de pacientes

Ainda que o paciente autorize, é proibido usar imagens de pessoas tratadas por você. Quando você faz uma postagem de “antes e depois”, por exemplo, entende-se que você está se valendo da imagem daquela pessoa para se promover.

Além disso, os organismos são diferentes uns dos outros, o que significa que nem todos os pacientes terão um resultado tão impressionante quanto o da postagem. Assim, mostrar isso é como prometer que o tratamento funcionará para todos da mesma forma — o que não é verdade.

Outra situação que deixa muitos médicos em dúvida diz respeito aos pacientes que pedem para tirar “selfies”. Estas podem ser postadas, desde que não contenham elementos que promovam a sua profissão. E também não podem estar acompanhadas de textos que elogiem demais o seu trabalho.

Separar o pessoal do profissional nas redes sociais

Divulgar as informações da clínica em seu perfil pessoal pode causar transtornos. Quer um exemplo? Vamos supor que você expresse livremente a sua opinião sobre política ou religião na rede. Isso pode causar um mal-estar com pacientes que pensam diferente de você.

Da mesma forma, se você posta fotos no bar com os amigos ou comemora a chegada do feriado, eles podem desacreditar do seu profissionalismo. Sendo assim, o ideal é que você tenha um perfil a parte para postagens profissionais.

Reserve essas postagens pessoais para os seus familiares e amigos, e mantenha um perfil específico para assuntos profissionais junto aos seus pacientes. E não deixe de checar e responder às interações, é claro. De nada adianta receber um comentário e não respondê-lo de forma direta e personalizada, certo?

Tomar cuidado com as especialidades

Fazer propaganda dos seus títulos e especialidades é permitido. Divulgar o seu CRM também, assim como citar todas as sociedades médicas das quais você faz parte. Por outro lado, existem algumas limitações quanto ao tema: o máximo de especialidades que podem ser divulgadas em um anúncio são duas. Mais que isso não é permitido.

Portanto, nada de incluir uma grande lista. Além disso, nunca — jamais, em hipótese alguma — divulgue especialidades que você não tem. Não se esqueça de que propaganda enganosa é crime, e está sujeita às punições da lei.

Preocupar-se com a linguagem

Sabe aquela história de querer mostrar o quanto você é melhor que os concorrentes? Pois bem, no marketing médico isso não funciona.

Alguns termos e expressões são vetados para o marketing médico. Dizer coisas com “o melhor”, “o mais eficiente”, “o único capacitado”, “resultado garantido”, e outras de sentido similar é proibido.

Outra prática que vai totalmente contra as normas da ética médica é oferecer algum tipo de garantia ao paciente ou aos familiares quanto ao resultado do tratamento proposto. E mais um ponto importante: a divulgação de técnicas exclusivas também é proibida.

Já imaginou como ficaria o mercado médico se cada um resolvesse tentar convencer o público de que somente ele é capaz de solucionar seus problemas? Tudo viraria uma verdadeira disputa de egos, e fugiria do objetivo principal, que é promover a saúde e o bem-estar das pessoas.

Ajustar o foco de entrevistas

Um médico pode conceder entrevistas a órgãos públicos ou privados, desde que o seu objetivo seja esclarecer a sociedade sobre doenças, riscos e tratamentos. A publicação deve vir acompanhada de nome completo e especialidade do profissional. Até aí, nada de errado.

O problema começa quando você usa essa postagem para se promover.

Compartilhar telefone e outros meios de contato, por exemplo, é terminantemente proibido para esse tipo de publicação. Além disso, fazer uma entrevista falando apenas do seu próprio trabalho, ou divulgar seu telefone ao final configura uma forma de comércio — algo também proibido para o ramo.

Outro ponto muito importante é ler a publicação e checar se as informações divulgadas estão corretas. Caso encontre alguma incorreção, o caso deve ser encaminhado como ofício retificador ao órgão de imprensa e ao CRM local.

Não divulgar os preços

Jamais caia na tentação de divulgar a sua tabela de preços de consultas e procedimentos. Tal prática não é permitida para estabelecimentos médicos, e essas informações devem ser passadas somente em caráter particular, para os interessados que entrarem em contato.

Já imaginou se a divulgação de valores vira “moda”? Consultas e tratamentos se transformariam em produtos para comercialização, e o mercado não passaria de um grande leilão. De novo, lembre-se: a saúde é um bem que não deve ser comercializado!

Não fazer anúncios em conjunto

Finalmente, você não pode divulgar o seu trabalho em um anúncio de terceiro. Não é permitido, por exemplo, incluir o seu nome ou contato no anúncio da loja de aparelhos cirúrgicos do seu amigo.

O Conselho Federal de Medicina proíbe terminantemente a inclusão de médicos em anúncios de outras marcas comerciais ou produtos, bem como a divulgação de técnicas e métodos ainda não aceitos pela comunidade científica.

Marketing médico

Enfim, entendeu por que o marketing médico é um pouco diferente do aplicado a outros profissionais? Agora, se você quer divulgar sua clínica sem ferir os princípios da ética médica ou constranger as pessoas, aproveite para assinar a nossa newsletter e receba mais conteúdos como este em primeira mão!

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