A carreira médica é, tradicionalmente, ligada ao prestígio. E isso não acontece à toa, já que lidar com a vida de forma tão próxima é uma atividade merecidamente reconhecida. Engana-se, porém, quem acredita que o profissional de medicina não encontra dificuldades em sua trajetória profissional. O credenciamento em planos de saúde é a prova disso, por ser um processo que muitas vezes parece complexo. Por qual razão fazê-lo? Em quais planos se credenciar? Será que vale a pena? Existem outras opções para quem busca espaço nesse mercado tão acirrado e necessário?

Para responder essas e outras perguntas, elaboramos este guia completo sobre o assunto. Se você ingressou há pouco tempo na área ou apenas deseja entender mais sobre o tema, continue lendo o post para se informar melhor.

Por que se credenciar em um plano de saúde?

O que é um plano de saúde?

Primeiramente, é preciso pontuar que a assistência à saúde é um direito de todos os brasileiros e um dever do Estado. Por meio do SUS (Sistema Único de Saúde), o governo federal deveria garanti-lo com eficácia. Essa garantia, embora seja dada pela constituição, não funciona de maneira ideal na prática, infelizmente.

Sendo assim, é permitido que a iniciativa privada preste serviços relacionados à assistência médica e hospitalar como um todo. E esses podem ser oferecidos por operadoras que apresentam diversos formatos de planos de saúde.

São muitas as opções: planos corporativos ou familiares, que cobrem os mais diversos tipos de procedimentos. Assim, o cliente escolhe o pacote que mais lhe agrada, assina o contrato com a empresa e paga mensalmente pela disponibilidade dos serviços. A partir disso, ele passa a ter uma espécie de cobertura para seus gastos médicos e hospitalares, de acordo com a modalidade contratada.

Por que fazer o credenciamento em planos de saúde?

Também conhecido como setor de saúde suplementar, é válido dizer que o âmbito dos planos privados só cresce. É possível comprovar esse crescimento segundo dados apresentados pelo Mapa Assistencial, um levantamento estatístico feito pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

De acordo com o documento, só em 2016 “foram realizados 272,9 milhões de consultas médicas e 141,1 milhões de atendimentos ambulatoriais, números que mostram relativa estabilidade em relação aos anos anteriores (comparativo com 2014 e 2015)”, ou seja, a população continua contando bastante com os serviços prestados pelas operadoras e empresas envolvidas.

Fazer o credenciamento é uma alternativa que os médicos e os outros profissionais da saúde têm para angariar um número maior de pacientes. Por meio dele, é possível aumentar o número de pacientes atendidos.

Quais são as vantagens de se credenciar?

Trata-se de uma opção interessante não só para quem ainda está ingressando no mercado, sendo também uma excelente estratégia para aqueles que já abriram sua clínica há algum tempo, mas visam aumentar o número mensal de consultas. Profissionais que precisam mudar de cidade ou estado também são beneficiados, podendo refazer a sua base de pacientes.

Outra vantagem bacana é a chance de encontrar pacientes assíduos, que gostem do seu trabalho e desenvolvam uma preferência pessoal pelo seu atendimento. Além dos profissionais, as clínicas também se beneficiam bastante desse fator.

Quem visa mudar de especialidade ou agregar uma nova em seu currículo também sai ganhando, já que o credenciamento possibilita exercê-la mais rapidamente, ajudando a firmar os conhecimentos ligados à especialização em questão.

Há ainda o ganho de experiência, já que o trabalho de atender muitas pessoas é uma competência distinta, que pode ser bastante necessária no futuro.

Quais são os principais planos do Brasil?

Qual é o panorama dos planos brasileiros?

A quantidade de beneficiários de planos privados no país é grandiosa: cerca de 47 milhões de pessoas, segundo um levantamento feito em março de 2017 pela ANS.

Desse número, algo em torno de 31 milhões tem o chamado “plano coletivo empresarial”, que são os famosos “convênios”. Eles são comumente oferecidos pelas empresas como benefícios trabalhistas aos seus funcionários. Também chama atenção o montante que conta apenas com planos exclusivamente odontológicos: 22 milhões, aproximadamente.

A quantia de operadoras com pessoas inscritas também é alta, superando a marca de mil empresas. Curiosamente, apenas 29 delas — menos de 3% do total — concentra uma estimativa de 50% dos beneficiários. Por essa relação, pode-se notar que muitas pessoas assinam sempre os mesmos planos, que podem ser considerados como os maiores do Brasil.

Quais são as maiores operadoras?

Uma matéria publicada pela revista Exame elencou os principais planos de saúde brasileiros. A lista levou em consideração o número total de beneficiários e a avaliação obtida por cada um deles nos índices da ANS. Confira alguns deles logo abaixo.

Bradesco Saúde

Seguradora que faz parte do grupo Bradesco. Sua especialidade são os atendimentos médico-hospitalares e os planos corporativos, de modo que não comercializa nenhuma outra modalidade de adesão. Em 2009, a empresa alcançou nota alta no índice (IDSS) da Agência Nacional de Saúde Suplementar. Tem a maior base de clientes: mais de 2,5 milhões.

Intermédica Sistema de Saúde

Trabalha com pessoas físicas e jurídicas. A contratação por empresas pode ser feita em todo o país, ao passo que a outra modalidade só pode ser efetuada na região metropolitana de São Paulo. Conta com mais de 2 milhões de beneficiários.

Medial Saúde

Comprada pela Amil no ano de 2009, a Medial Saúde oferece serviços que cobrem toda a área nacional. Comercializa planos individuais ou empresariais, que vão de atendimentos hospitalares e ambulatoriais a odontológicos. Dados da ANS apontam para uma média de 1,3 milhão de beneficiários. A aquisição é restrita a alguns estados e depende do plano escolhido.

Amil Assistência Médica Internacional

Com serviços que abrangem o território nacional, a Amil foi fundada em 1970, no Rio de Janeiro. Ela atua em planos ambulatoriais, cuja comercialização se dá apenas em locais nos quais ela tem alguma filial: Brasília, Fortaleza, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.

Sul América Seguro Saúde

Além de atuar com todas as formas de cobertura, a Sul América foca seus serviços em planos corporativos, já que desde 2004 não trabalha mais com inscrições individuais. Tem algo em torno de 1 milhão de clientes.

Central Nacional Unimed –  Cooperativa Central

Com abrangência nacional, a Cooperativa Central da Unimed opera no segmento ambulatorial e hospitalar. Tem, ao todo, mais de 800 mil beneficiários, sendo que todos eles são conveniados por meio das empresas nas quais trabalham.

Unimed Belo Horizonte – Cooperativa de Trabalho Médico

Esta filial da Unimed oferece a cobertura de diversos atendimentos, inclusive os odontológicos. Embora também tenha planos individuais, a maioria das assinaturas são feitas por corporações. Sua nota no Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS) ficou entre 0,8 e 1, o que representa a faixa mais alta de pontuação.

Amico Saúde

Também chamada de Dix – Amico Saúde, a operadora atua com todos os públicos e cobre todas as formas de atendimento. Sua área de atuação, no entanto, fica restrita às cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília.

Unimed Rio de Janeiro – Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro

Este braço da Unimed lida com todo o estado carioca. São quase 700 mil beneficiários, mas cerca de 80% deles é assinado por pessoas jurídicas.

Golden Cross

Com mais de 600 mil clientes, a Golden Cross pode ser contratada em todos os locais do Brasil. Sua abrangência também é nacional e a cobertura incide sobre as mais variadas demandas.

Quais são os planos mais rentáveis?

Outro jeito de classificá-los é de acordo com o patrimônio acumulado de cada um. Há, ainda, outros quesitos financeiros que podem ser analisados. O portal Valor Econômico organizou um ranking exemplar explorando diversas variáveis financeiras de 50 operadoras de planos de saúde no Brasil nos anos de 2013 e 2014.

Como escolher um plano para se credenciar?

Mesmo com todos os dados à disposição, pode ser difícil escolher uma operadora que se encaixe perfeitamente em seus objetivos profissionais. Se você faz parte de uma clínica com outras pessoas, então, o desafio pode ser maior ainda, devido aos interesses dos outros profissionais envolvidos.

De qualquer forma, levando em consideração as vantagens apresentadas, fazer o credenciamento tende a ser um passo muito importante na carreira médica. Novas portas serão abertas e você pode descobrir diferentes aptidões ao longo desse processo.

Surge, portanto, a necessidade de estabelecer determinados critérios antes de se tornar credenciado por algum plano de saúde. O intuito é garantir que seu desenvolvimento ocorra da melhor forma possível, tanto pessoal quanto profissionalmente. Como toda decisão relevante, ela precisa ser tomada sem nenhuma pressa.

Quais critérios utilizar?

Cobertura

A cobertura oferecida pela operadora precisa estar de acordo com a sua atuação profissional. Caso contrário, desista logo na entrada do procedimento burocrático. Afinal, de que adianta ser dentista e se credenciar em um plano que não tem atendimento odontológico?

Outro ponto que deve ser analisado é a área de abrangência do plano. A não ser que você tenha planos de se mudar em breve, filtre sua pesquisa pela região que cada empresa cobre.

Avaliações

As métricas utilizadas são diferentes, mas você pode conferir o índice de qualidade e a satisfação dos clientes com os planos. O próprio site da ANS fornece esses dados. Embora eles não reflitam, necessariamente, a satisfação do profissional de saúde com o plano, é possível ter uma ideia de como o trabalho está sendo desenvolvido.

Objetivos

Você tem metas para sua jornada como médico, certo? Verifique, então, quais são os objetivos e valores que as empresas que mais lhe interessaram têm. Como qualquer parceria de negócios, é essencial que as ideias e conceitos estejam alinhadas para ambos os lados.

Certifique-se, também, do compromisso ético que a operadora tem. Por se tratar de um serviço de natureza específica, que lida diretamente com o bem-estar alheio e com um direito fundamental, é válido olhar para o aspecto humanitário e social da marca.

Apoio ao profissional

Outro ponto que merece atenção são os diferenciais que cada plano dá aos profissionais credenciados. Como eles atendem? Como ocorrem os pagamentos? Qual apoio eles dão?

Tire suas dúvidas diretamente com a empresa e, se possível, converse com quem já se credenciou. Ter uma perspectiva prática de como os médicos são tratados pelos planos é de grande ajuda para tomar essa decisão.

Como fazer o credenciamento no plano de saúde?

Pronto: você já sabe qual plano lhe interessa mais e se identificou com a proposta e o alcance oferecido por ele. Agora chegou a hora de iniciar, enfim, o processo de credenciamento. Para começar, é necessário reunir a tradicional “papelada”.

Vale frisar que cada operadora pode apresentar normas próprias ou uma legislação interna que peça um ou outro item a mais. Contudo, é seguro dizer que, de uma maneira geral, os seguintes documentos são pedidos:

  • inscrição do consultório no Conselho Regional de Medicina (CRM);
  • alvará da vigilância sanitária atualizado;
  • informações sobre o médico responsável pelo consultório, como currículo, CRM, diploma, CPF;
  • lista de funcionários e médicos;
  • comprovante de pagamento recente do ISS e da Taxa de Fiscalização do Atendimento;
  • cartão recente do CNPJ;
  • inscrição atualizada do CCM ou ISS junto à prefeitura responsável;
  • comprovação de cadastro no CNES;
  • comprovante de conta para repassar os valores;
  • contrato social ou ata de constituição do consultório.

Qualquer mudança referente às documentações acima listadas deve ser informada à operadora. Afinal, o cadastro precisa ser devidamente atualizado, a fim de evitar problemas posteriores. Quem cuida da burocracia das atualizações é a empresa, desde que esteja munida das informações corretas.

Antes de dar entrada na documentação, procure fazer um contato com o atendimento voltado para os profissionais da saúde que cada empresa disponibiliza. Tente entender quais são as demandas que eles têm em relação ao credenciamento e veja se são muito distintas desses itens.

Após o cadastramento e o envio de tudo aquilo que é necessário, será realizado o credenciamento. A partir desse momento, as empresas estipulam prazos e demais exigências a serem cumpridas. Isso varia muito entre as operadoras, de modo que só é possível saber o que é preciso ser feito após essa primeira aproximação.

Quais são os riscos de se credenciar em planos de saúde?

Infelizmente, nem tudo são flores na carreira quem estuda medicina. Embora seja uma alternativa bastante interessante, que traz, de fato, diversas vantagens para o seu consultório, o credenciamento em planos de saúde está longe de ser uma solução perfeita.

Cercado de problemas estruturais e operacionais, muitos deles acabam se tornando um verdadeiro pesadelo, fazendo com a que parceria deixe de ser vantajosa para ambos os lados.

Existem, sim, riscos ao se credenciar em alguma operadora. Mais do que isso: eles crescem à medida que o trabalho da empresa é mal feito ou não apresenta as qualificações mínimas para atender as exigências do setor e o comprometimento com a saúde como um todo.

Pagamentos

Você consegue entender que os convênios funcionam como intermediadores, certo? Afinal, eles prometem levar os pacientes até seu consultório e vice-versa. Como intermediários desse “encontro”, eles naturalmente cobram uma porcentagem de seu serviço, além, é claro, de receberem as mensalidades dos clientes.

Não haveria nenhum problema nessa relação, caso os valores agradassem a todos os envolvidos. Na realidade, porém, as coisas não são bem assim. Conversando com médicos experientes, você provavelmente ouvirá histórias de profissionais extremamente competentes, mas que recebiam um valor muito abaixo do mercado pelas consultas conveniadas.

Além de gerar uma insatisfação pessoal com a carreira, isso também dá origem a um ciclo vicioso, no qual o trabalho médico é precarizado. Como o preço da consulta fica insatisfatório, surge a necessidade de fazer um número maior de consultas por dia. Isso abre margem para que o seu atendimento perca qualidade, afastando os pacientes.

Ou seja, não é só o seu dinheiro que está em jogo: sua reputação também pode ir por água abaixo por conta do ritmo alucinado de atendimentos feitos diariamente. E é difícil reverter a situação, tendo em vista a necessidade imposta por aquilo que os convênios pagam.

Gestão

Pensar em gestão no segmento da medicina pode parecer confuso, mas é uma necessidade que se faz cada vez mais urgente. Todavia, as empresas que controlam os planos de saúde não parecem levar esse fato em consideração.

Algumas operadoras, em vez de otimizarem os serviços e facilitar a vida dos médicos, pedem prontuários, confirmações e registros que muitas vezes são desnecessários.

Por incrível que pareça, em plena era da informação, muitas delas não conseguem fornecer um suporte adequado, que auxilie no agendamento de consultas, por exemplo. Sendo assim, pode-se constatar que mesmo as operações mais básicas ligadas à rotina médica não recebem uma contrapartida das operadoras, o que acaba deixando os consultórios na mão.

Existe uma alternativa aos planos de saúde?

Os riscos do credenciamento desestimularam sua vontade de apostar nesse caminho? Não tem problema! A boa notícia é que, felizmente, os modelos de negócio estão seguindo por uma outra via e o atendimento médico parece entrar de vez essa maré de mudanças.

Dentro dessa nova configuração, que ganha cada vez mais espaço, a tendência é que você seja o próprio responsável por conseguir uma maior captação de pacientes, conduzir sua própria agenda e ainda controlar a própria produtividade. Tudo isso é possível por meio de ferramentas como o xdoctor, que têm como principal objetivo a otimização de todos os processos envolvidos.

Como funcionam?

Iniciativas desse tipo propõem uma informatização do seu consultório, combinando uma série de serviços que vão muito além daquilo que é “básico”. Elas também facilitam o próprio cotidiano, agilizando o agendamento, reduzindo custos com pessoal, impressões etc.

Elas fazem parte de um movimento econômico chamado de “economia on demand” ou, traduzindo do inglês, economia sob medida. São projetos inovadores, que vêm tomando conta do mercado nos últimos anos. Eles têm como principal característica a venda de um serviço que resolve os problemas pontuais do consumidor.

Outro traço marcante desse tipo de serviço é que, uma vez comprado, ele é acessível e utilizável de qualquer lugar, em qualquer dispositivo. Basta uma conexão com a internet e você pode acessar o que adquiriu. Tudo é facilitado por aplicativos pensados para simplificar a tarefa dos consumidores. Empresas como Netflix, Spotify e Uber são exemplos claros disso.

Uma outra prática comum desse molde de consumo é possibilitar uma degustação gratuita dos serviços.

Quais são as vantagens?

Além do controle ficar nas suas mãos, você pode ter à disposição uma série de funcionalidades que vão do envio de lembretes ao acompanhamento financeiro de seu consultório.

Lembretes

Você pode reduzir a taxa de ausências enviando avisos por SMS ou e-mail nas vésperas das consultas.

Agenda

A facilidade de lidar com remarcação ou agendamentos a qualquer momento também ajuda a elevar seus rendimentos.

Cadastros

Ter todos os pacientes cadastrados ajuda a personalizar o atendimento e também serve para guardar outras informações úteis, como endereço e telefone. Caso você opte pela manutenção do credenciamento em planos de saúde, também é oportuno listar os convênios que cada paciente usa.

Prontuários

Você já imaginou o tanto de espaço e papel que é possível poupar com prontuários eletrônicos? Eles também podem funcionar com controle de acesso e sigilo absoluto de dados.

Atestados

Economizar o tempo que você gasta escrevendo os mesmos atestados e declarações de sempre também seria ótimo, não é mesmo?

CID

Esqueceu o CID-10 em casa ou no carro? Calma! Basta consultá-lo na tela de seu celular.

Controle financeiro

Se você não tem a menor vocação para fazer a gestão financeira do seu consultório, não é preciso se desesperar. Você pode experimentar um sistema que faça isso de forma automatizada, considerando as contas a pagar, as receitas, o fluxo de caixa etc.

Desse modo, você não precisa ficar refém das operadoras e pode ter mais autonomia sobre a sua clínica. Mesmo que deseje se credenciar, é recomendado contar com um suporte que traga soluções para o seu dia a dia, compensando os eventuais deslizes cometidos pelos convênios.

O credenciamento em planos de saúde tende a ser mais proveitoso quando acompanhado de uma autogestão que se adeque às demandas profissionais que você tem enquanto médico.

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